Delator detalha quanto pagou de propina aos três réus do “Caso Fifa”

O empresário argentino Alejandro Burzaco, um dos principais delatores do “Caso Fifa”, detalhou em depoimento no Tribunal Federal do Brooklyn quanto pagou de propina para cada um dos três réus do caso.

Por GloboEspote.com
Segundo Burzaco, o ex-presidente da CBF José Maria Marin recebeu US$ 2,7 milhões (R$ 8,95 milhões). Juan Angel Napout, ex-presidente da Conmebol (e, antes disso, da Federação do Paraguai) recebeu US$ 4,5 milhões (R$ 14,9 milhões). Manuel Burga, ex-presidente da Federação do Peru, recebeu US$ 11,9 milhões.
Além disso, Burzaco afirmou ter prometido – mas não pago – outros US$ 5,9 milhões (R$ 19,5 milhões) a Napout e mais US$ 3 milhões (R$ 9,95 milhões) para Burga. Os três réus afirmam ser inocentes e dizem que não receberam propina.
De todos os réus do “Caso Fifa” que estão sob cuidados da Justiça dos Estados Unidos, esses três – Marin, Napout e Burga – são os únicos que não fizeram acordos com a Justiça, não delataram e decidiriam encarar o julgamento.
Não é o caso de Burzaco. Ele se entregou em 2015, confessou múltiplos crimes de fraude e lavagem de dinheiro. Pagou uma multa de US$ 21 milhões (R$ 69,5 milhões) e está em prisão domiciliar enquanto aguarda sua sentença.
Nesta quinta-feira, Burzaco vai para o terceiro dia de depoimentos no Tribunal Federal do Brooklyn. Nos dois últimos dias, em interrogatório conduzido pelo promotor Samuel Nitze, o empresário confessou ter pago mais de US$ 60 milhões (R$ 198,5 milhões) em propina para dirigentes de futebol.
Burzaco também afirmou que empresas de mídia participaram do pagamento de subornos. Citou a Televisa, do México, e a TV Globo. Em nota oficial, a Globo refutou as acusações conforme divulgado em nota oficial na terça-feira passada:

“Sobre o depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso FIFA pela justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que, após mais de dois anos de investigação, não é parte nos processos que correm na justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. O Grupo Globo se surpreende com o relato envolvendo o ex-diretor da Globo Marcelo Campos Pinto. O Grupo Globo deseja esclarecer que Marcelo Campos Pinto, em apuração interna, assegurou que jamais negociou ou pagou propinas a quaisquer pessoas. O Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Os nossos princípios editoriais nem permitiriam que seja diferente. Mas o Grupo Globo considera fundamental garantir aos leitores, aos ouvintes e aos espectadores que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.”

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